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Câncer: as razões que levam o corpo a lutar por sua sobrevivência e iniciar o processo de cura (Parte 2)

Por Dra. Simone Queiroga Brito Gonçalves

 

 

Parte 2

 

É relevante entender que a maioria das doenças, incluindo o câncer, iniciam-se no ambiente extracelular. Ainda antes do adoecimento da célula, os líquidos intersticiais (nos quais as células estão constantemente banhadas) estão repletos de substâncias tóxicas e ácidos, derivados do seu metabolismo. Aí se enquadram (a) os pacientes que, apesar de geneticamente predispostos ao câncer (ou seja, que herdam as mutações dos seus progenitores), podem viver por toda a vida, sem desenvolver qualquer sinal de câncer; (b) os pacientes que não herdam mutações genéticas, porém manifestam a doença em algum momento de sua vida. Diante destes dois grupos, há, portanto, algo muito relevante a ser percebido e discutido, que não é considerado pela medicina da atualidade.

 

Sabe-se, hoje, por estudos comparativos entre a porção líquida da matriz extracelular (incluindo as substâncias químicas nela dissolvidas) e o líquido do interior das células (citoplasmático) que sua composição é igual. Logo, existe uma eficiente comunicação entre o ambiente celular e o líquido intersticial circundante. Neste contexto, não basta a eliminação do tumor. É necessário cuidar do terreno biológico, fator que é desconsiderado pela maioria maciça dos oncologistas. As recidivas locais ou doenças a distância tornam-se inevitáveis e, quando acontecem, o câncer se mostra ainda mais agressivo do que anteriormente.

 

Em oposição ao estado funcional, em que há normalidade e equilíbrio nas reações químicas ocorridas nos fluidos extracelulares, o estado disfuncional é caracterizado por um interstício que começa a apresentar depósitos ao redor das células. Isso acontece quando o fígado não consegue filtrar as toxinas do sangue; elas acabam sendo despejadas nesses fluidos. Quanto maior a quantidade de toxinas aí acumuladas, maior o congestionamento causado às membranas celulares. Dentre a enorme diversidade dos tipos de toxinas estão as micotoxinas (de fungos), cuja produção é ocasionada por ingestão de açúcar). Nestas condições, para garantir a sobrevivência, ocorre o primeiro nível de adaptação celular à presença de toxinas: a diluição, o que leva à retenção de líquidos e aos edemas.

 

O segundo nível de adaptação celular para a sobrevivência ao meio é o tamponamento, isto é, a conversão dos ácidos presentes (oriundos de seu metabolismo) à forma de sais, para evitar variações bruscas de pH da fração plasmática do sangue, que deve ser mantido em torno de 7,4. Isso garante, até certo ponto, a manutenção da homeostase (equilíbrio) do organismo. No entanto, vale ressaltar que uma escolha malfeita, como a ingestão de um copo de refrigerante (cujo pH é 2,5) representa um desafio ao organismo, que causaria uma alteração brusca do pH da fração plasmática, não fosse o sistema tampão (bicarbonato), que prontamente desmineraliza os ossos (para formar bicarbonato de cálcio). Todavia, este processo, de forma contínua, pode ocasionar osteoporose e até o desenvolvimento do câncer. Adicionalmente, uma possível e frequente consequência da formação de sais é sua deposição nas articulações, principalmente as dos joelhos, o que caracteriza o processo de artrose.

 

A fase seguinte de adaptação acontece quando o organismo tenta excretar os ácidos pelos pulmões, pelas mucosas, pele e rins. A eliminação de ácidos pelos pulmões explica os quadros de asma, bronquites alérgicas e demais problemas respiratórios. A liberação pelas mucosas gera lesões como as gastrites (com potencial para evoluírem a úlceras e câncer gástrico). A excreção de ácidos pela pele ocasiona dermatites, psoríase e outros tipos de lesões cutâneas. A excreção final de ácidos pelos rins justifica o padrão normal do pH ligeiramente ácido da urina. Esta, quando alcalina, pode indicar retenção de ácidos pelo organismo e insuficiência renal.

 

Caso as etapas comentadas acima (diluição, tamponamento e excreção) não ocorram a ponto de reduzir, de forma significativa, a concentração de ácidos oriundos do metabolismo celular, inicia-se a formação de uma barreira que inviabiliza total ou parcialmente a chegada de nutrientes e oxigênio às células e, de forma inversa, o recolhimento de ácidos/toxinas. A medicina natural holística, com maior profundidade, atribui a origem das doenças ao bloqueio da circulação da Energia Vital por todo o corpo e à perda da homeostase.

 

Graves agressões são ocasionadas por esta barreira (bloqueio), que acabam atingindo o citoplasma (ambiente intracelular). As células passam a viver constantemente banhadas em seus próprios excrementos e sob hipóxia. Quando a intoxicação e a acidificação dos ambientes intersticial e intracelular não pode ser reduzida, a opção final para a célula sobreviver é mutar. E, quando alcança o limite máximo (tolerável) de alterações adaptativas para a sua sobrevivência, fala-se, então, em neoplasia maligna ou câncer. Neste último nível de adaptações, a célula torna-se mais resistente, independente definitivamente de oxigênio e ganha a imortalidade, por mecanismos antiapoptóticos e por mecanismos que impedem a ação das telomerases nas extremidades dos cromossomos.

 

O estabelecimento e o diagnóstico do câncer levam, em geral, a um “despertar”. Ao longo da vida, todos fazemos escolhas equivocadas, conscientes ou não. Essa “névoa” sempre existirá, com o propósito de interferir na exata percepção do sentido da vida. Contudo, as sementes para as reais mudanças vêm sendo lançadas em novas direções, em busca da cura, de forma muito mais eficaz do que os tratamentos convencionais. Nesta nova etapa de vida (e luta), que se inicia para muitos, é de grande relevância descobrir as verdadeiras razões que levam o corpo a lutar por sua sobrevivência. O conhecimento científico, o autoconhecimento e, sobretudo, o reconhecimento da Energia Vital contida nas plantas (vivas) e do seu imenso potencial para a regeneração e o reequilíbrio do organismo, são imprescindíveis para voltarmos a ser senhoras e senhores de nossas próprias escolhas. Afinal, a saúde, o bem-estar e uma vida de qualidade são bens maiores pessoais, exclusivamente.

Leia a Parte 1 deste artigo aqui.

 

 

Artigo da Dra. Simone Queiroga Brito Gonçalves. Saiba mais sobre ela aqui. Contatos: simonequeirogabg@gmail.com

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