Observação
 

O conteúdo deste site é baseado em pesquisas realizadas pelos autores, salvo indicação em contrário. As informações apresentadas aqui têm caráter educacional e não se destinam a diagnosticar ou prescrever para qualquer condição médica nem para prevenir, tratar, mitigar ou curar tais condições. As informações contidas neste site não se destinam a substituir um relacionamento individual com um médico ou profissional de saúde qualificado. Portanto, estas informações não pretendem ser um conselho médico, mas, sim, uma partilha de conhecimentos e informações com base em pesquisas e experiências. Os leitores, sejam eles pacientes, familiares ou pessoas interessadas em prevenção, devem tomar suas próprias decisões com relação à sua saúde, com base em seu julgamento e pesquisas em parceria com um profissional de saúde qualificado. Os autores estão qualificados a dar orientações psicológicas e nutricionais.

Mitocondria 3.png

Câncer: uma doença genética ou mitocondrial?

Dra. Simone Queiroga Brito Gonçalves

O câncer é considerado, por muitos autores, sintoma de um grande desequilíbrio do organismo. Uma doença sistêmica, que poderia ser comparada a um iceberg, em que sua porção externa seria o tumor propriamente dito, enquanto a porção submersa estaria relacionada a todas as bases da doença e à acidez tecidual, que representam o terreno biologicamente favorável ao seu desenvolvimento. 

 

Todos os cânceres envolvem alterações no DNA. No entanto, é fundamental compreender os fatores que estão associados ao desenvolvimento da doença em um determinado paciente. Podem-se considerar as possíveis origens destas alterações genéticas em três grupos distintos:

  • Grupo 1. Engloba apenas 5% a 10% dos casos. Trata-se de mutações herdadas de pai e mãe (relacionadas ao DNA nuclear). A repetição dos mesmos padrões familiares referentes a hábitos alimentares e estilos de vida leva à falsa impressão de que este percentual é maior.

  • Grupo 2. Abrange cerca de 15% dos casos de câncer. Neste grupo o paciente apresenta, anteriormente, uma infecção viral, sintomática ou não, que não é tratada e evolui para câncer. Estão incluídos aí os vírus das hepatites B ou C, o Polioma vírus, o Papiloma vírus, Epstein Barr, entre outros.

  • Grupo 3. Composto por 75% a 80% dos casos de câncer. Para esse grupo, pode-se salientar a Teoria Metabólica do Câncer, descrita pelo alemão, Otto Warburg, laureado com o Prêmio Nobel de Medicina em 1931. Segundo esta teoria, todas as células tumorais malignas apresentam lesões mitocondriais e alterações metabólicas. Para uma melhor compreensão desta teoria, primeiramente, uma volta à época das aulas de Biologia faz-se necessário, para lembrar que as mitocôndrias são organelas encontradas no interior das células e que estão relacionadas à liberação da energia contida nos alimentos ingeridos. A Figura 1A, mais adiante, mostra uma mitocôndria de uma célula saudável.

Dentre as moléculas obtidas através da alimentação, simplificadamente, estão a glicose, os aminoácidos e os ácidos graxos (resultantes da digestão de carboidratos, proteínas e gorduras, respectivamente). Estas moléculas, bem como o oxigênio, são distribuídas até as células por meio da circulação sanguínea e internalizadas. Dentro das células saudáveis, estes nutrientes são degradados e transformados em moléculas ainda menores que, em um segundo momento, penetram nas mitocôndrias.

 

No interior das mitocôndrias saudáveis, existem numerosas dobras, que correspondem às cristas mitocondriais, regiões onde ocorrem as reações químicas entre as moléculas menores de alimento, em presença de oxigênio (proveniente da inspiração). Conforme ocorrem as “quebras” das ligações entre os seus átomos, as moléculas do alimento liberam energia, que passa a ser armazenada sob a forma de ATP (trifosfato de adenosina; molécula rica em ribose), mais facilmente disponível para a célula.

 

Em contrapartida, nas Figuras 1B, 1C e 1D, pode-se observar que a mitocôndria de uma célula de câncer apresenta diversos tipos de lesões. A organela é caracterizada por lesões que  abrangem mutações no seu DNA mitocondrial, alterações morfológicas e estruturais (como perda das cristas mitocondriais), com consequente perda funcional. As células neoplásicas malignas deixam de utilizar oxigênio para a obtenção de energia, mudando o seu metabolismo de aeróbico para anaeróbico (fermentação) e sua multiplicação, segundo a Teoria Metabólica do Câncer, ocorre a partir destas alterações mitocondriais. O processo fermentativo, com produção de lactato/ácido láctico, é aprimorado ao longo da evolução da célula tumoral e exige grandes quantidades de glicose  mesmo em presença de oxigênio (uma célula cancerosa consome até 20 vezes mais glicose em relação a uma célula saudável).

 

 

Figura 1. Características morfológicas da mitocôndria – desenho esquemático. Em 1A. Estrutura típica de uma mitocôndria saudável. Presença de numerosas cristas mitocondriais (representadas em amarelo). A organela está relacionada à respiração e à homeostase (equilíbrio celular) e varia em quantidade (de centenas a mais de mil por célula), dependendo da proximidade das regiões onde haja grande consumo de energia no organismo (como cérebro, musculatura esquelética, entre outros). Em exames ortomoleculares, para uma comparação entre idade cronológica e biológica do organismo, a mitocôndria é tão importante que faz parte dos fatores de medição de envelhecimento. Quanto mais mitocôndrias, mais jovem é considerada a pessoa e quanto mais saudáveis as mitocôndrias, melhor a obtenção de energia. Em 1B, 1C e 1D. Alterações estruturais apresentadas pela mitocôndria de uma célula cancerosa, em estágios avançados do desenvolvimento tumoral. Tais alterações estão relacionadas a mutações nos genes mitocondriais. As mutações são apontadas como responsáveis pela inativação de genes supressores de tumor, ativação de oncogenes, perda das cristas mitocondriais, perda funcional das mitocôndrias e a consequente fraqueza muscular. O processo de fermentação constitui a única forma de obtenção de energia pela célula tumoral, gerando ácido láctico.

 

A excessiva utilização de glicose pela célula tumoral, como combustível para a fermentação, constitui um dos fatores que contribui para tornar ácidos (e ricos em toxinas) os líquidos intersticiais, isto é, os fluidos nos quais as células permanecem “banhadas”.  Por esta razão, a restrição do consumo de carboidratos representa um passo fundamental e determinante do sucesso de uma terapia, principamente para aqueles pacientes que se encontram nas fases iniciais do tratamento e desejam evitar o avanço da doença. Ainda que esteja descrito na literatura, que os níveis de glicose no sangue jamais possam chegar ao zero, e que ocorre transformação de proteína em glicose, a restrição aos carboidratos dificulta a disponibilidade de glicose para o tumor e mantém estáveis os níveis de glicose e de insulina sanguíneos. Desta forma, evitando-se picos glicêmicos, evita-se também a glicação de hemáceas, inflamações, etc. 

           

A intensa fadiga, apresentada pelo paciente com câncer, pode ser atribuída a diversos fatores como à mitocondriopatia descrita, à sarcopenia (perda de massa muscular), que podem ser acompanhadas por perda de apetite, depressão, anemia, além do tratamento quimioterápico convencional (quando seguido), dentre outros. Suplementos como ribose, coenzima Q10, assim como determinados aminoácidos “do bem”, cepas de bactérias probióticas, dentre outros, buscam contornar e melhorar esses sintomas.

           

Mais adiante, outros fatores relevantes serão abordados como parte de uma terapia anticâncer.  No entanto, ainda neste contexto, um ponto em especial que necessita ser enfatizado, é a adoção da prática regular de exercícios físicos, tanto anaeróbicos como aeróbicos, que reduzem parcialmente o estresse, beneficiam o sistema cardio-respiratório, promovem a produção de endorfinas, etc. Em particular, a atividade anaeróbica forçada induz a biogênese mitocondrial, ou seja, a produção de novas mitocôndrias para auxiliar o complexo restabelecimento do equilíbrio metabólico, comentado anteriormente. A atividade aeróbica promove a oxigenação das células e, portanto, eleva o pH dos líquidos intersticiais. Em especial, exercícios aeróbicos específicos, realizados em cama elástica, promovem, além de todos os benefícios comentados, a eliminação de toxinas pelas células, constituindo um importante método de desintoxicação para o organismo. Exercícios como corridas prolongadas devem ser evitadas, devido à produção de espécies reativas de oxigênio, que têm o DNA e as membranas celulares como alvos de oxidações, podendo levar ao câncer (ou agravá-lo), inclusive a outras doenças. 

 

Vale lembrar que no organismo humano, ainda que saudável, uma determinada quantidade de células neoplásicas são originadas diariamente. Tais alterações, no entanto, não evoluem para o câncer graças aos mecanismos de reparação de DNA e ao sistema imune. Como inúmeras causas podem levar à perda do equilíbrio da energia vital do organismo, tornando, ao longo da vida, o sistema imune deficitário, as próximas reportagens abordarão os fatores que levam às falhas nos mecanismos de reparação do DNA e, consequentemente, à carcinogênese, considerando-se, os mecanismos epigenéticos de regulação gênica (expressão/silenciamento de genes), erros na suplementação, entre outros tópicos relacionados

 

 

Artigo da Dra. Simone Queiroga Brito Gonçalves. Saiba mais sobre ela aqui. Contatos: simonequeirogabg@gmail.com

Receitas anticâncer
Movitation
Salada verde com abacate
Chá Essiac
A Terapia Gerson
Reconectando-nos ao nosso poder
O lucrativo mercado do câncer
Alimentos que causam câncer
Mostrar Mais
Atendimento individual ou
familiar
Aviso legal
 

O conteúdo deste site é baseado em pesquisas realizadas pelos autores, salvo indicação em contrário. As informações apresentadas aqui têm caráter educacional e não se destina a diagnosticar ou prescrever para qualquer condição médica nem para prevenir, tratar, mitigar ou curar tais condições. As informações contidas neste site não se destinam a substituir um relacionamento individual com um médico ou profissional de saúde qualificado. Portanto, estas informações não pretendem ser um conselho médico, mas, sim, uma partilha de conhecimentos e informações com base em pesquisas e experiências. Os leitores, sejam eles pacientes, familiares ou pessoas interessadas em prevenção, devem tomar suas próprias decisões com relação à sua saúde, com base em seu julgamento e pesquisas em parceria com um profissional de saúde qualificado. Os autores estão qualificadas a dar orientações psicológicas e nutricionais.