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O conteúdo deste site é baseado em pesquisas realizadas pelos autores, salvo indicação em contrário. As informações apresentadas aqui têm caráter educacional e não se destinam a diagnosticar ou prescrever para qualquer condição médica nem para prevenir, tratar, mitigar ou curar tais condições. As informações contidas neste site não se destinam a substituir um relacionamento individual com um médico ou profissional de saúde qualificado. Portanto, estas informações não pretendem ser um conselho médico, mas, sim, uma partilha de conhecimentos e informações com base em pesquisas e experiências. Os leitores, sejam eles pacientes, familiares ou pessoas interessadas em prevenção, devem tomar suas próprias decisões com relação à sua saúde, com base em seu julgamento e pesquisas em parceria com um profissional de saúde qualificado. Os autores estão qualificados a dar orientações psicológicas e nutricionais.

Cúrcuma no tratamento do câncer

O mito da quimioterapia

 

Por Érion de Lima Benevenuti

Um dos maiores mitos em relação ao tratamento do câncer é o que sustenta o uso generalizado e quase indiscriminado da quimioterapia (MOSS, 1995): a crença implícita de que ela é útil e efetiva na maioria dos casos em que é utilizada. Ora, essa suposta eficiência simplesmente não tem sustentação científica (SEGELOV, 2006) nem está de acordo com uma observação mais atenta e inteligente dos fatos.

Vejamos, então, na tabela a seguir, o que uma meta-análise (amplo levantamento bibliográfico e científico sobre um determinado tema) nos mostra sobre a eficiência da quimioterapia (MORGAN; WARD; BARTON, 2004) para alguns dos tipos mais conhecidos e frequentes de câncer.

Tabela 1. Eficiência da quimioterapia tomando como parâmetro o aumento na taxa de sobrevida de 5 anos* em pessoas adultas (>20 anos), dos Estados Unidos e da Austrália.

 

 

 

Fonte: Morgan; Ward (2004)

* São comparados grupos de pessoas que foram tratadas com quimioterapia com grupos de pessoas, com o mesmo tipo e estado de câncer, em situações similares, que não se submeteram a este tratamento.

Além da estarrecedora constatação da baixa eficiência da químio no que concerne à cura e ao aumento da sobrevida do paciente, é muito importante que se diga que também há muito pouca pesquisa e resultados científicos mostrando que a químio tenha um resultado positivo na qualidade de vida do paciente tratado (MOSS, 1995). Será que vale a pena fazer um tratamento que aumente em algumas semanas ou mesmo uns poucos  meses a vida de uma pessoa (MOSS, 1995; MORGAN; WARD; BARTON, 2004),  mas que, ao  mesmo tempo, tenha graves efeitos colaterais, ou seja, que tenha sérios efeitos negativos sobre a qualidade da vida que lhe resta (MOSS, 1995) e que também represente uma ameaça significativa à própria vida? Esta questão deveria ser considerada e discutida mais seriamente com o paciente (AUDREY, 2008), em vez de submetê-lo cegamente ao tratamento. Pesquisas feitas junto a médicos, que supostamente conhecem bem mais os resultados da químio do que as outras pessoas, mostram que eles são muito menos receptivos a se submeterem aos famosos programas de aplicação da quimioterapia, do tipo “clinical trials”, do que as pessoas em geral (MOORE, 1988). Por que será?

 

Que fique bem claro aqui que o nosso compromisso e preocupação essencial é com as pessoas que estão em tratamento de câncer e em oferecer a elas as informações mais confiáveis e atualizadas, capazes de auxiliá-las efetivamente na busca do melhor caminho para lidar com a situação. Neste sentido, não somos em absoluto contra a químio ou qualquer outro tipo de terapia, seja ela “convencional” ou “alternativa”, desde que ela seja realmente usada em benefício da vida das pessoas e não para atender a outros interesses, muitas vezes disfarçados e inconfessáveis.

 

Pela Tabela 1, podemos ver que há alguns tipos de câncer de adultos (>20 anos) para os quais a ciência aponta que pode haver um uso mais justificado da químio, pelo menos no que concerne ao seu resultado na sobrevida de 5 anos: cervical, testículo, linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin. No entanto, é importante notar que, para os tipos mais frequentes de câncer (mama, próstata, pulmão etc.), seu resultado é pífio (< 5%).

Além desses tipos, em alguns subtipos mais específicos, assim como em alguns tipos raros de cânceres, as pesquisas científicas apontam que a químio também pode resultar em alguma eficiência real. Sem dúvida, o caso mais emblemático de eficiência da quimioterapia, e provavelmente um dos maiores motivos de sua difusão indiscriminada, é encontrado no tratamento da leucemia linfocítica em crianças. Contudo, a leucemia atinge muito mais adultos do que crianças e os resultados da químio em adultos com esta doença são bem menos animadores (MOSS, 1995, p. 125).

O que enfatizamos sempre é a necessidade de haver um exame mais criterioso no uso da químio, voltado essencialmente para os interesses do paciente e sempre envolvendo seu conhecimento (AUDREY, 2008) e sua imprescindível participação e consentimento. Mas infelizmente, como mostra o estudo de Jane C. Weeks e outros,

 

existe uma séria distorção no entendimento da maioria dos pacientes que se submetem à quimioterapia, com respeito a seus prováveis resultados positivos:

Muitos pacientes que recebem quimioterapia para cânceres incuráveis podem não entender que é muito improvável que a quimioterapia venha a curá-los, o que comprometeria sua capacidade de tomar decisões fundamentadas que realmente atendam aos seus interesses. Os médicos poderiam melhorar o entendimento destes pacientes, no entanto isto poderia custar a simpatia de seus pacientes com relação a eles. (WEEKS et al., 2012, p. 1616; tradução nossa).

Para finalizar, reproduzo aqui duas reflexões feitas por Ralph W. Moss em seu instigante livro Questioning Chemotherapy [Questionando a quimioterapia] - reflexões estas que não podem mais continuar a ser completamente ignoradas por profissionais e instituições que se dizem interessados no tratamento e na cura do câncer.

Se a quimioterapia realmente melhorasse a qualidade de vida do paciente, suspeita-se que haveria inúmeros estudos mostrando isso. A razão pela qual não há praticamente nenhum deve ser óbvia - a quimioterapia não é paliativa para a maioria dos pacientes e de fato diminui sua qualidade de vida.

[...]

Os médicos dizem que a mera administração de tais drogas infunde nova esperança a um paciente que, de outra forma, estaria abatido. Isso independe da questão da eficácia das drogas. [...] Ao longo das décadas tem havido uma crítica violenta a médicos alternativos por supostamente oferecerem exatamente esse tipo de pseudo-tratamento. Ele é rotulado de “falsa esperança”. Mas, mais uma vez, os oncologistas concedem a si mesmos uma licença que não estão dispostos a conceder a outros. (MOSS, 1995, p.153; tradução nossa).


 

Referências

  1. MOSS, R. W. Questioning chemotherapy. Sheffield, UK: Equinox Press, 1995.

  2. BAILAR, J. C., SMITH, E. M. Progress against cancer? New England Journal of Medicine, v. 314, p. 1226-1632, 1986.

  3. MORGAN, G., WARD, R.,  BARTON, M. The contribution of cytotoxic chemotherapy to 5-year survival in adult malignancies. Clinical Oncology, v. 16, p. 549-60, 2004.

  4. SEGELOV, E. The emperor’s new clothes: Can chemotherapy survive? Australian Prescriber, v. 29, n. 1, p. 2-3, 2006.

  5. AUDREY, S. et al. What oncologists tell patients about survival benefits of palliative chemotherapy and implications for informed consent: qualitative study. BMJ, v. 337, p. 337-752 31, jul. 2008.

  6. MOORE, M. J.; O’SULLIVAN, B.; TANNOCK, F. How expert physicians would wish to be treated if they had genitourinary cancer. Journal of Clinical Oncology, v. 6, p. 1736-1745, 1988. 

  7. WEEKS, J. C. et al. Patients expectations about effects of chemotherapy for advanced cancer. New England Journal of Medicine, v. 367, p. 1616-1625, 2012.

 

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